quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Enterrei meu coração...

Enterrei meu coração pra sempre,
Agora sou vazio, é bem verdade…
Mas em paz, amor nunca mais…
Nem me fale mais em saudade…

Jogo paciência comigo mesmo,
Olho todos como mais um risco…
Jogo fora o sentimento, a emoção…
Ninguém me prende, não mais me arrisco.

Enterrei meu coração pra sempre,
Que nenhum mais o conquistar tente…
Meu caminho agora é de ida, sem volta,
Nem chegada, nem espera, sou ausente…

Enterrei meu coração arrebentado, ferido…
Maltratado, massacrado sem explicação…
Estou me equilibrando e levantando do chão.
Pode ir tranqüila, já lhe dei o meu perdão…
Já nada dói, nem incomoda…

Enterrei meu coração…

sábado, 27 de novembro de 2010

Canto do desencanto.

Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
A estrela que eu escolhi não cumpriu com meu pedido e hoje não a encontrei.

Oração pra vida.

Há manhãs que me trazem o medo
De ter de perto de mim alguém
Quanto aos prantos me vejo sozinho
Que sei que aqui no mundo espero alguém

Alguém que...
... Que me faça esperar pelo agora

Pássaro canta, a flor floresce ao dia
Bem ouvido para quem acorda o céu
Quantos rostos o acaso me traz
O momento relento da minha oração

Horas são
Horas vão
Horas são
Poeta que brinca de pega-pega
Te busco em minha composição

Tua saudade
Que fosse metade minha
Que me encontrasse
Como as horas encontra o dia

Poeta que brinca com a dona esperança
Por que a vida é o coletivo das horas que são pro dia.

domingo, 17 de outubro de 2010

Sem amor...

A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz avaro.
A docilidade sem amor, te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz fútil.
A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A oração sem amor, te faz introvertido e sem propósito.
A lei sem amor, te escraviza.
A política sem amor, te deixa egoísta.
A fé sem amor, te deixa fanático.
A cruz sem amor, se converte em tortura.
A vida sem amor... não tem sentido!

Minha mais apaixonante fuga.

Vamos embora daqui, vamos morar em Floripa, Búzios, Madri ou ir pro Moçambique. Que luz, morar com pais nem rola mais, aqui não tem sossego. Tenho medo, sabia? Medo de andar na rua, de blitz, da língua venenosa do povo, medo de não conseguir decorar um texto, chegar atrasado, de entalar a garganta com um caroço, pararem de fabricar cigarro, de não ter Caras na sala de espera do dentista, de voltar a moda do biquíni asa-delta, de acabar o papel-higiênico, de, no chuveiro, alguém ligar a água quente na cozinha. Ah, eu vou embora. Vocês não mudam, as coisas não mudam, o Brasil tá violento! Vou fazer mestrado no Peru ou vender coco no Rio Grande do Norte. Você vem?

Por que não?

Por que você não pega o ônibus que passa na sua rua? Você conhece o itinerário dele? Vá até o ponto final, para ver como é a cidade que ele atravessa diariamente. Volte até o ponto inicial.

Por que você não prepara uma viagem para conhecer a cidade em que seus avós nasceram? E, se der, por que você não os leva?

Por que você não aprende a língua deles, caso sejam imigrantes estrangeiros?

Por que você não vai conhecer aquele parente de quem ouviu muito falar, mas quem nunca viu pessoalmente?

Se você tem empregada, por que não dá um beijo nela, assim que levantar da cama? Por que não aceita aquele convite de conhecer a casa dela? Marque a visita para o próximo domingo. E leve o vinho mais caro que encontrar.

Por que você não abraça o seu porteiro e combina de beber uma cerveja depois do expediente com ele?

Por que não vai conhecer a casa das máquinas do seu prédio com o zelador?

Por que não abre um champanhe no teto do prédio, com ele?

Veem o sol se pôr.

Se você mora em casa, por que não pergunta para o vigia da sua rua onde ele nasceu, como foi a sua infância, se é casado e tem filhos? Por que não o convida para jantar antes do serviço? Cozinhe pra ele. Como se cozinhasse para o rei.

Por que você não liga agora para os seus pais e não diz o quanto os ama?

Por que não vai hoje à noite comer uma pizza com eles e folhear álbuns de infância, reler cartas, ouvir histórias?

Por que você não abre o armário do seu pai e olha roupa por roupa, gaveta por gaveta, como ele se veste atualmente?

Por que você não dorme na antiga caminha em que dormia?

Por que você não faz as pazes com os seus irmãos? Convide todos para irem ao circo. Pague pipoca para eles. Por que não vão todos depois aos bastidores conversar com os trapezistas?
Por que você não paga pipoca para todas as criança do berçário vizinho, que fazem uma algazarra incrível na hora do recreio? Por que você não aproveita e brinca com elas?

Por que você não pode ou não quer?

Por que você não visita a sua escola primária?

Ande pelos corredores e tente reconhecer alguns professores. Por que você não se senta no banco escolar de onde assistia as aulas? Por que você não procura na biblioteca o seu nome nas fichas de livros que leu no colegial?

Peça o mesmo sanduíche que comia na lanchonete da escola. Por que não aproveita e paga para todos os alunos presentes uma rodada de milk-shake?

Lembra o quanto você era duro e de como era caro tomar um?

Por que você não liga já para a sua primeira namorada ou namorado e marca um café? Marca para um sábado qualquer.

Por que você não liga para a segunda namorada ou namorado e relembra todas as besteiras que fizeram, os apelidinhos que se deram, os presentes que trocaram?

Por que você não escreve uma carta?

Por que você não compra selos e posta a carta numa caixa de correio que resiste ao tempo?

Você sabe onde tem uma caixa de correio perto?

Por que você não escreve uma carta para antigos namorados ou namoradas relembrando todas as coisas boas que vocês viveram?

Por que você não escreve uma carta para você mesmo, contando todas as besteiras que fez na vida, listando os arrependimentos?

Coloque num envelope selado, enfie na caixa de correio mais próxima.

Por que você não começa hoje a ler o livro que sempre teve vontade, mas que nunca teve tempo?

E por que não decora a letra daquela música que ama?

Por que não aproveita e decora o número do seu cartão de crédito novo?

Por que você não vai a uma praça rolar na grama?

O que o impede de subir na gangorra ou balanço?

E numa árvore?

Siga as formigas.

Escute abelhas.

Reparou que um adulto só volta a ser criança na velhice?

Por que é tão difícil quebrar os hábitos, fugir do padrão, deixar o óbvio de lado? Por que ignorar o incomum?

E, o pior de tudo, por que a rotina nos é fundamental?

Por que você não poda as árvores da sua quadra, por que não planta flores nos canteiros da sua calçada, por que não adota um gato?

Por que você não passa o dia na janela, observando o movimento e a rotina dos vizinhos?

Falta de tempo?

De interesse?

Por que uma criança sempre ri?

Por que não arrumar os livros em gênero, os discos em ordem alfabética, as roupas por estilo? Por que não doar agora aqueles livros, discos e roupas de que não gosta? Por que não passar o dia desenhando? Por que não desenhar na parede da sala? E que tal comer um tomate inteiro, como se fosse uma maçã? Ou sucrilhos, grão por grão? Lamba o prato. Enfie o dedo no bolo. Use a colher do açucareiro, para dispersar o açúcar no café.

Vá ao estádio de futebol e se senta na arquibancada com a torcida rival.

Torça, um dia apenas, para um time que nunca imaginou que existisse.

O improvável é tão impossível assim?

Durma olhando para as estrelas, coma sem usar os talheres, corra para ver os cavalos acordarem, converse com os moradores de rua do bairro, entre no metrô de costas, cante alto uma música no vagão, vá à varanda mais próxima e uive com os cachorros na madrugada.

Por que o diferente amedronta?

Vá ao aeroporto ver avião subir.

Conte quantas nuvens tem agora no céu. Tente desvendar qual animal elas lembram?

Abra os braços, respire fundo, feche os olhos, sinta no rosto a umidade da brisa, escute o vento, a cidade viva.

Diz: “Como é bom tudo isso…”

Agora repete.

Por que não ser piegas?

Por Marcelo Rubens Paiva

Acordar. Por que acorda?

Para trabalhar. Por que trabalha?

Para ganhar a vida. Para que dinheiro?

Sustentar.

O quê?

A casa, a luz que dá luz, a água que banha, o café da manhã, o jornal diário, o gás do café, o condomínio que garante um elevador que funciona, que o leva a uma vaga demarcada na garagem, onde um carro que dá a partida, pois tem uma bateria nova, combustível no tanque, injeção eletrônica calibrada e roda sobre quatro pneus novos se encontra.

E sustentar a segurança que o protege daqueles que queiram parte dos seus bens.

Que abre a guarita quando encosta o carro, acena e deseja bom-dia.

Para a rua vai, com o seguro do carro em dia, o que evita acidentes e gastos desnecessários do fruto do seu trabalho.

Trabalhar para pagar impostos e ter uma rua bem recapeada, faróis de trânsito que organizam a ida ao trabalho dos vizinhos e possibilita manter o patrimônio próprio e as vidas alheias.

Pintam faixas de pedestres, para os que não têm patrimônio suficiente possam atravessar as ruas e, com segurança, se dirigirem a uma estação de transporte público para, como ele, ganhar a vida.

Dá passagem para carros com sirenes ligadas. São policiais que garantem a segurança pública dos que trabalham ou não, baseados em códigos e leis que o Estado criou para que possamos, em ordem, trabalhar.

Uma ambulância também passa. Lá vai nosso imposto sendo utilizado para amainar dores, salvar vidas, dar à luz outro pequeno ser que, depois de educado e formado, estará conosco no mercado, para acordar e trabalhar, e talvez disputar a nossa vaga por um terço do salário, o fruto do trabalho.

Ou, se tudo der errado, e as más influências o levarem para os caminhos do crime, afanar partes do patrimônio alheio, burlando a segurança privada na guarita, que deu bom-dia minutos antes.

Até os que zelam pela segurança pública o trancarem numa instituição sustentada pelos impostos que são gerados pelo nosso trabalho, atividade exercida após o acordar.

Alguns preferem se exercitar antes da jornada de dez horas, com duas horas de almoço.

Pagam academias, porque acordamos, trabalhamos e temos dinheiro, e queremos manter a saúde em bom funcionamento, para acordarmos e trabalharmos.

No trabalho, ganhamos a vida. Em baias, salas envidraças, fábricas barulhentas, com apetrechos que garantam a segurança do trabalho, para que possamos trabalhar sem nenhum membro do corpo saudável decepado, e todo corpo possa operar com dedicação a máquina que gera produtos, faturamento e salários.

Se o corpo estiver intacto, o produto pode ser aperfeiçoado, o faturamento cresce, e quem sabe o salário aumenta, para quem sabe prepararmos melhor o corpo e a mente para o trabalho.

Almoçamos uma comida rica em nutrientes durante o intervalo de duas horas.

E podemos quem sabe convidar a nova estagiária e pagar a conta. O que a deixaria satisfeita. Demonstraríamos assim a nossa boa educação e gentileza, vocações que agradam seres trabalhadores do sexo oposto (ou do mesmo, dependendo da opção).

Após o trabalho, com um corpo saudável e bem alimentado, e a disposição para encarar horas de lazer, podemos convidar a colega de trabalho para um happyhour, onde outros trabalhadores aliviam tensões do trabalho jogando conversa fora e sorvendo líquidos alcoolizados dentro, que aliviam as tensões da jornada, estabelecem uma comunicação facilitada pela alteação do estado psíquico e furam bloqueios formais que são rígidos, estabelecidos por normas de relações trabalhistas e ambientes de tensão, que buscam aumentar o faturamento para, quem sabe, aumentarem os salários e as participações no lucro.

A substância alcoolizada desloca a timidez para longe.

Palavras de carinho e sedução são aplicadas, e de repente o casal, ele e a estagiária, colegas de trabalho, começa a expor detalhes de suas vidas pessoais, seus desejos e sonhos, suas carências e necessidades imediatas.

Ambos sabem que a alma precisa estar tão balanceada quanto os pneus e a injeção eletrônica do veículo que os aguarda. Para que possam tocar suas rotinas.

Os corpos exigem providências instintivas de satisfação do prazer eminente.

Pedem para ser acariciados, abraçados, consumidos, esgotados.

Após pagar a conta com fruto do seu salário e oferecer uma carona em seu carro bem regulado, com combustível e seguro pago, o casal se vê pelas ruas bem iluminadas, graças aos impostos pagos, param em faróis que garantam a segurança dos pedestres, escutam uma música romântica na rádio que foi empreendida após uma concessão pública através do Estado que sustentam pelo voto e impostos em dia, algo acontece: está estabelecido um contato olho no olho.

Aproximam seus rostos e se beijam ardentemente.

Sem oferecer riscos a outros trabalhadores que retornam a seus lares.

Então, ele a convida para conhecer o seu lar. Sugestão aceita de imediato.

Em silêncio, encostam na guarita do seu prédio, são saudados pelo porteiro com um boa-noite, seguido por um bom descanso.

Ele encosta na vaga demarcada pelo conselho de condôminos, interrompe o fluxo de combustível do motor, desliga o carro com injeção eletrônica bem regulada, leva-a de mãos dadas ao elevador com a revisão em dia, e sobem para o seu apê.

Exibe alguns bens obtidos graças ao fruto do seu trabalho, abre uma garrafa de vinho cara, resultado da dedicação e participação no faturamento da empresa.

Sorvem o líquido alcoolizado elogiando a safra e a uva que o originou.

Em minutos, estão na cama satisfazendo seus desejos de se tocarem, se consumirem, se possuírem.

Utilizam um invólucro de látex, que os protege de doenças indesejáveis e evita a proliferação da espécie, a criação de novos entes que um dia possam substituí-los no trabalho. Têm poderes para controlar a natalidade do Estado que constantemente se vê obrigado a investir em infraestrutura.

Mas nem entra a madrugada, e ela utiliza um aparelho celular para obter o serviço de um táxi.

Já?

Ela espera por minutos a chegada de uma unidade, despede-se com um beijo e diz:

“Preciso acordar cedo amanhã.”

Para quê?

Para ganhar a vida.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por João Guimarães Rosa

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM!"

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Doente pela política nacional

Não tem nada pior que ser hipocondríaco num país que não tem remédio. Esta maldita crise política está me deixando completamente doente. Devo estar com Mal de Jefferson, sofrendo de gastrite crônica, severa e nervosa. Sério! Todo dia é a mesma coisa: é só pegar o jornal de manhã que já fico hipertenso. Cada denúncia que aparece vai me deixando mais tenso ainda. A tensão é tanta que já estou há mais de um mês com prisão de ventre. Não tenho vontade de fazer mais merda nenhuma. Sei lá, acho que não estou digerindo muito bem as coisas. Qual o remédio? Não sei que bicho me mordeu, mas, mesmo para lá de vacinado, acho que estou com raiva. Raiva do cachorro do Marcos Velório. Raiva do cachorro do Dilúvio Soares. Raiva do cachorro do Zé Desceu. Raiva de toda a cachorrada. O pior é que esses cachorros eram os melhores amigos do ''homi''. Fui no médico, mas o consultório estava lotado. Não é à toa: o brasileiro é, antes de mais nada, um paciente. O problema é que o país inteiro está ficando doente. O Lula, esclerosado. O governo, com paralisia. O PT, leproso, caindo aos pedaços. Os políticos, com síndrome de pânico. A oposição, inflamada. E a gente, mal das pernas, com os órgãos falidos e todos os sintomas de cólera. Só não entro em coma por absoluta falta do que comer. Mas vida que segue! Pelo menos não tenho gota. Mais nenhuma gota de esperança.

Por Batista Alves

Viva! O mau cheiro do açude velho
Viva!Nossa Política
Viva! A pobreza do são Sebastião
Viva! Nossa Política
Viva! A morte de Ito Morais
Viva! Nossa Política
Viva! Os esgotos dos mananciais
Viva! Nossa Política
Viva! A partida de Antonio Ivo
Viva!Nossa política
Viva!A divisa entre a sociedade
Viva! nossa política
Viva!O poeta do frei Damião
Viva!Nossa política
Viva!Pra quem vive e não agüenta mais
Viva!Nossa política!
Viva! O que teve e não existe mais
Viva!Nossa política
Viva!O nome santo da nossa cidade
Viva!Nossa Política!

Lição para brasileiros

"...Deploro o regresso a uma política externa que levou à destruição da França duas vezes neste século. Condeno o seu plano de abandonar a OTAN e a segurança conjunta do mundo ocidental. Não servirei à França sob as suas ordens, para fazer espionagem contra os Estados Unidos da América. Aviso ao senhor e ao mundo de uma conspiração monstruosa para criar a anarquia e entregar a França aos comunistas depois de sua morte.
Amo a França como o senhor afirma amá-la, e viva a digo que a traiu para promover suas ambições pessoais. Viva a França!

André Devereaux trecho de Topázio de Leon Uris do título original Topaz 1985

Só escreva

Ás vezes, eu tenho palavras pra falar de tudo. Falo de política, de economia. De meio ambiente, até arrisco falar de amor. Mas quando tenho que falar sobre o MEU amor, é o silêncio que toma conta de mim. Preciso desabafar. Preciso que alguém me ouça, nem que sejam essas linhas de palavras sem sentido. Sinto-me sufocado. Sinto-me preso. Perdido em um labirinto que não tem saída. Perdido num mundo que às vezes não consigo nem me encontrar.
Faço de tudo. Leio livros, faço exercícios, cozinho, saio com os amigos, fico com garotas, durmo. Mas em tudo que eu faço, eu nunca estou sozinho. Nunca. Ela sempre está ali comigo, sempre. Desde o dia em que conheci certo rosto, ela passou a viver dentro de mim, e desde então, é só nela que consigo pensar. Esse amor que me tira o sono, que me tira a atenção, que me corrompe por dentro, passou a fazer parte de mim. Faz tempo que começou, e não durou muito. Por vezes, até penso que é tudo uma grande bobagem, que é coisa da minha imaginação. Penso naqueles amores de filmes, de livros; paixões arrebatadoras, casos amorosos com muitas idas e vindas, com muito fulgor. Amores transcendentes. Tudo muito bonito. E então me lembro do meu amor. Não parece nada com isso tudo. Parece muito mais bobo, muito mais infantil. E por isso, guardo-o só pra mim. Mas chega um ponto, em que não consigo mais esconder. Então escrevo. Escrevo para aliviar a dor que sinto no meu peito, para esconder a tristeza que carrego em meu olhar.
Eu amo aquele ser. E isso dói mais do que tudo, ter a certeza absoluta de que o que eu sinto, é amor. Não é só atração, não é só ‘coisa de pele’. Antes fosse isso. Seria muito mais fácil de resolver. Mas não, é complicado. Sempre tive uma facilidade enorme de esquecer as coisas. Quando colocava em minha mente que devia esquecer alguém, eu esquecia e ponto final. Podia até demorar, podia doer muito, mas eu esquecia. Foi sempre assim, e sempre deu certo. Mas dessa vez, minha mente me pregou uma peça. Ela não quis esquecer. Eu não quis esquecer. E isso é o pior de tudo. Eu continuo não querendo esquecer. Por mais que eu saiba que isso tudo não tem futuro algum, que nunca vai dar certo, eu continuo com esse amor dentro de mim.
Eu sou jovem, muito jovem. Falo inglês, escuto MPB, freqüento lugares interessantes, conheço pessoas de todos os tipos. Tenho bom estudo, relaciono-me com pessoas cultas. Viajo. Não sou modelo, mas tenho boa aparência. Tenho uma fome de conhecimento, e estou sempre à procura de coisas novas. Tenho uma vida estável, moro com meus pais, e eles me dão tudo o que preciso. Então, o que eu vejo nela? Ela não é mais velha. É tão jovem quanto eu. É desbocada, fala o que vem na mente, usa um linguajar que minha mãe não me deixaria falar em hipótese alguma. Pra sair de casa, veste a primeira roupa que vê na frente, não se importa tanto com aparência. Não dá a mínima para os estudos. Desleixada. Tem sempre alguém no seu pé. Sempre. É do tipo vigarista de primeira. “Um boa vigarista, conquistadora, naipe de artista, pique de jogadora;” Então me diga, o que eu vejo nela?

Eu vejo no olhar dela um brilho que só ali encontro. Eu vejo uma mulher, com espírito de menina, com sonhos, com metas, objetivos. Eu vejo um jeitinho que só ela tem de dizer o quão chato e irritante eu sou. Eu sinto nela o melhor cheiro do mundo, eu sinto nos braços dela, a maior segurança que um dia já tive. Eu sinto no beijo dela um fulgor que nunca ninguém antes havia me feito sentir. Eu sinto no toque dela, a paixão mais eloqüente de todas. As palavras sussurradas em meu ouvido me paralisam, fazem com que eu esqueça do mundo lá fora. Ela já sabe como me conquistar. E ele às vezes faz isso sem perceber. Quando canta uma canção, quando me chama de anjo, quando me abraça e diz eu te amo, quando se mostra uma dama. Quando beija minha testa, diz ‘Se cuida, e juízo né?’ Ela sabe ser doce. Na verdade, ela nem é tão vigarista assim. Isso é só uma desculpa que eu dou, e que eu sei que o deixa irritada.
E ela gosta de mim. Eu sinto que ela gosta. Do jeito mais torto possível, mas ela gosta. Antes até que ela não gostasse, tornaria tudo mais fácil, acabaria com essa minha esperança de um futuro que não vem. Quem olha pra mim quando falo dela, vê escrito na minha testa o que sinto. Posso falar mal, posso dizer que nem penso mais, posso mentir pros quatro cantos que ela não significa nada pra mim. Há, mas não adianta. Está estampado no meu sorriso, no brilho do meu olhar ao falar o seu nome.
Aonde isso tudo vai parar? Eu não sei. Mas guardo em mim a esperança de um dia encontrar um final feliz. Talvez não ao lado dela, talvez bem longe daqui, ou quem sabe ainda um dia nossas vidas se cruzem, talvez de um jeito melhor para nós dois. Talvez de um jeito que não machuque tanto. Mas enquanto isso, eu carrego comigo esse amor, que me mantém vivo, que me mantém lúcido. Porque apesar de tudo, é bom demais amar.
Sinto-me bem mais leve. Não escrevi isso com a intenção de fazer um texto bonitinho cheio de fru-frus. Escrevi como forma de desabafo. Ás vezes é a melhor coisa a se fazer. E se você está passando pelo mesmo, e não consegue achar uma solução, escreva. Escreva o que sente. Talvez a pessoa que você ame nunca veja isso. Mas você vai saber que ao menos tentou dizer, ou escrever, o que sentia. E alivia um pouco o peso sobre os ombros. Alguém me disse que quando a pessoa sofre, ou passa por um baque muito grande, revela na arte seus sentimentos. Escrever é arte. Nem que seja uma frase num guardanapo. Nem que seja no seu diário, ou na parede do seu quarto. Coloque para fora o que você sente. Se não consegue proferir, coloque tudo no papel. Sinta-se mais leve.

Racionalmente crente descrente

Em máteria de crença religiosa, política ou moral, toda contestação é inútil. Discutir racionalmente com outrém uma opinião de origem afetiva ou mística só terá como resultado exaltá-lo.

Turn off

Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, o tal balancete no final do ano. Deixe de lado a cobrança interna, a dívida externa, a tão eterna dúvida. Viver é assim. Não há como negar. Para ficar ligado é preciso saber desligar. Fácil? Nem tanto. Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo. Portanto, esqueça o relógio. Seu tempo está dentro de você. Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão. Não deixe a agenda ocupar ? sem querer - o lugar do coração. Respeite sua hora. Desacelere. TURN OFF. Mais do que correr, é preciso saber parar. Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir. Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo. Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está em livros. Mas dentro de cada um. Quer tentar? Respire fundo. Desencane. Perca seu tempo com você!É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei. Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar. Cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil? Pode ser. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida. Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você. Esqueça. Se esqueça. Hora de se perdoar. RENASÇA. Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala. E meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita com voz desafiante: confie em si mesma. Quebre a rigidez. Ouse. Brinque. Viva com mais leveza. E - por favor - desligue-se. Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida. E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser: CHEGOU A HORA!

Vote em MARINA.

Somente quem tem a vocação da política terá certeza de não desmoronar quando o mundo, do seu ponto de vista, for demasiado estúpido ou demasiado mesquinho para o que ele deseja oferecer. Somente quem, frente a todas as dificuldades, pode dizer "Apesar de tudo!" tem a vocação para a política. Voto em PV e você?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Monóico. Por Nando Reis

Aparte aquilo que a gente quer
Eu sou um homem, você é uma mulher
Se estou com fome você me traz uma colher
E eu me alimento

Mas na verdade isso tanto faz
Sou só metade se você é meu par
Eu só queria com você me casar
E você me completa

Eu sou um antúrio, você é um ibísco
Eu quero tudo e sempre tudo coloco em risco
E num mergulho eu acho que sou seu marido
E eu me afogo

Sinto seu dedo mas não vejo a sua mão
Não sinto medo quando estou deitado olhando pro chão
E o meu relevo ofereço pra sua visão
E você me afaga

Quero que sua língua lamba o meu corpo nú
E que o meu sexo te dê todo o céu azul
Nas suas pernas se encrava o tesouro do meu baú
E eu te abuso

Me dê seu leite como meu licor
Me dê seus peitos cheios de amor
Me dê um beijo sem nenhum pudor
E você me penetra

Raspe meu sal como um animal
Use sua boca me faça seu fio dental
Solte meu cinto, dou seu guia e farol
E eu te ilumino

Diga seu nome que eu revelo minha identidade
Mate minha fome que eu farei tuas vontades
Uma esfinge cercada por três piramides
E Você me enterra

Sou sua sombra, seu espelho, sua ilusão
Você é meu leito, minha onda, minha missão
Não temos tempo precisamos de solução
E quem é que espera?

Temos dois lados, pois temos frente e verso
Me queira inteiro assim te imploro e peço
Sou mais que o avesso sou seu fogo seu forro seu ferro
E eu te engulo

Eu sou um homem você é uma mulher
Você me come porque eu quero ser sua mulher
E eu quero o homem que come essa mulher
Será que você me entende?

E finalmente restaremos só osso e pó
Sejamos homens, mulheres, qualquer um de nós
Pois fatalmente terminaremos sós
Mas você: a quem pertence?

Você pertence à você

Campanha.

Até quando o presidente Lula, o PT e a pré-candidata Dilma Rousseff irão desrespeitar, ignorar e tripudiar acintosamente da lei, rasgando páginas da Constituição impunemente?
Onde estão os juízes dos tribunais eleitorais e do STF, que assistem lenientemente a esses crimes eleitorais sem que tomem as atitudes cabíveis?
Será que, para o PT e seus filiados a lei não existe?

Simples assim.

Pessoas de caráter fazem as coisas certas não porque elas acham que isso irá mudar o mundo, mas porque elas se recusam a serem mudadas pelo mundo.

Por Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Por Carlos Drummond

Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci. Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite. Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.

domingo, 16 de maio de 2010

Viva o que diz.

Não interessa se você é letrado ou não, o que importa é se você vive aquilo que fala!

Normais que somos.

Se eu disser que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro trabalho – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquele que sempre fui, velho de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.